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domingo, 7 de março de 2010

REGINA DUARTE EM MISS BANANA (1986)

Regina Duarte estreou a peça Miss Banana, com uma versão louríssima no musical  em 1986. A sua personagem é Bela Vieira, uma garota nascida no interior, de origem pobre sem formação cultural, mais quer vencer a qualquer custo, para isso ela tem que abandonar o sonho de ser atriz, para viver em Goiaís com o rei da banana (Nestor de Montemar). Inspirado americano "Born Yesterday", o musical Miss Banana é ambientado no Rio de Janeiro da década de 50.

A moda era ter cabelos "platinum  blonde", além de fazer uma homenagem ao teatro de revista. O musical sobre a  trajetótia de uma ex-vedete que abandonou o  palco para ser amante de um coronel, dedicado ao negócio mais lucrativo do Brasil: a banana. bela vai para o Rio e conhece um jornalista (José de abreu), que muda o rumo das suas idéias:Bela volta para o  teatro em grande estilo.

Miss Banana teve direção de Wolf Maya, músicas de Caetano Veloso que compos um samba em homenagem à classe teatral intitulado "Merda", cenários de Marco Aurélio, coreografia de Acácio Gonçalves, direção musical de Édson Frederico, iluminação de Jorginho de Carvalho e contou com um elenco de 23 atores entre eles Nestor de Montemar, José de Abreu, Fábio Sabag, Lilian Cabral, Marcos Wainberg e Regina Restelli.




quinta-feira, 29 de maio de 2008

TEATRO: REGINA DUARTE


Regina, em sua belíssima carreira, viveu pelo menos duas PROSTITUTAS...

Vamos a elas: Numa participação especialíssima em 1995 no 'remake' da novela "Irmãos Coragem" de 1970 com uma ceninha relâmpago ao lado da filha (Gabriela Duarte) que vivia a personagem "Ritinha" encontramos a primeira prostituta. O 'remake' era uma espécie de comemoração dos 30 anos da TV Globo e vários artistas que atuaram na primeira versão da novela em 1970 (Regina era a Ritinha) estavam lá!

A segunda: Janete da peça teatral "Revèillon" de 1975.

Tema caro a Flávio Márcio, a incomunicabilidade inerente às relações humanas, principalmente familiares, é o ponto central abordado pelo espetáculo, que mostra o cotidiano de um lar de classe média paulistana à véspera do Ano-Novo. Central também é a personagem Janete (papel consagrado por Regina Duarte há quase 30 anos), a filha que se prostitui para sustentar a casa. Das primeiras horas da manhã até a meia-noite do dia 31 de dezembro, em meio aos rituais típicos da data e flashbacks, ela assiste à própria decadência e à de seus familiares, a mãe Adélia, o pai Murilo e o irmão mais novo, Guima.
Abaixo, o que a crítica disse da peça e de nossa estrela...
10/ 4/ 1975 - São Paulo/SPTeatro Sesc Anchieta


Texto de Flávio Márcio, integrante de trilogia dedicada à análise da classe média, síntese de seu pensamento autoral. A trilogia é formada À Moda da Casa, 1973; Revèillon, 1974, e Tiro ao Alvo, 1978. Em todos eles o autor efetiva uma análise do núcleo familiar de classe média, revelando aspectos soturnos, grotescos e, especialmente, seus rituais esvaziados e que beiram o absurdo. Seu estilo evidencia um humor ríspido, e não raro apela para um realismo fantástico.


Revèillon sobe à cena, inicialmente, numa montagem de Aderbal Freire Filho, com o Grêmio Dramático Brasileiro, em 1974. A montagem chama a atenção da crítica e faz Regina Duarte por ele interessar-se, produzindo-o no ano seguinte em São Paulo, obtendo grande repercussão e contribuindo para firmar o autor no panorama artístico.


A direção de Paulo José aliada à grande sensibilidade dos cenários e figurinos de Flávio Império, constrói um apartamento cercado de outdoors publicitários, onde a projeção de slides torna a opressiva vida urbana materializada em cena, potencializando os conflitos. A festa de Revèillon, entremeada com dados do passado trazidos a cena por flashbacks, revela as personagens, que não sabem ou não conseguem expressar o que aconteceu às suas vidas. A emergência do final do ano evidencia as diversas crises e aponta o mesmo doloroso destino: cada um mata-se de um jeito, certos de estarem fazendo a melhor escolha.


"Quase não se acredita que Paulo José tenha realizado uma encenação tão eficaz, sendo reduzida a sua experiência nesse campo. Esse espetáculo pertence a um diretor que vai do perfeito domínio artesanal a uma imaginação fértil e uma lucidez aguda na análise do texto e na fatura da montagem. Paulo segura o espectador pelo pescoço, oprime-o pela passagem do trivial ao grotesco e ao trágico",1 destaca o crítico Sábato Magaldi em sua análise.


As interpretações do elenco constituem o outro pilar que ajuda a peça a alcançar toda sua força em cena. Como destaca a crítica Ilka Marinho Zanotto: " Regina Duarte confere verdade a todas as facetas de um personagem que desliza constantemente do plano real para o imaginário; seguida de perto pela mãe – uma Yara Amaral exccelente - que consegue traçar em duas horas de espetáculo um registro sem retoque e angustiante daqueles seres fronteiriços que, conscientes embora do naufrágio, continua pintando os parafusos do navio".2

Revèillon é o texto mais representativo do dramaturgo Flávio Márcio, que falece em 1979 deixando, além da trilogia encenada, duas peças inéditas: Um Minutinho Só e O Homem do Disco Voador.

Notas:
1. MAGALDI, Sábato. Em cartaz, uma esperança no teatro. Jornal da Tarde. [Recorte sem data. Arquivo IDART/CCSP].2. ZANOTTO, Ilka Marinho. Reveillon, a fábula da desesperança. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 abr. 1975.