sexta-feira, 13 de junho de 2008

NOVELA: DESPEDIDA DE CASADO (1976)


Globo - 22h
novela de Wálter George Durst
direção de Wálter Avancini


SINOPSE

Stela e Rafael formam um casal estabelecido, que se encontrou e se amou com toda paixão. Mas, depois de mais de dez anos de união, há o desgaste normal, com problemas familiares que se foram acumulando. Obrigados a enfrentar realisticamente os problemas do dia-a-dia, o casamento começa a se desintegrar. É a fidelidade ao amor, e com o objetivo de reconquistar o relacionamento, que leva Stela e Rafael a procurar o consultório do Dr. Laio, um psicanalista que desenvolve uma terapia com outros casais com o mesmo problema: casamento em crise.


Entre vários casais, o Dr. Laio trata de Lídia e Roque e de Rejane e Odilon. Lídia é uma mulher de mais idade que não acompanhou o desenvolvimento normal do marido, o Dr Roque. Quando ela desperta para esta realidade, está aquém de Roque e com dificuldade de recuperar o tempo que perdeu. Isto conduz a uma separação ou não?


Rejane, fixada no marido, Odilon, não consegue romper essa dependência, nem nas diversas vezes em que é abandonada. Diante de uma separação definitiva, do desquite inevitável, entra em violenta crise emocional, sem condições de racionalizar seus problemas.


ELENCO
REGINA DUARTE - Stela
ANTÔNIO FAGUNDES - Rafael
CLÁUDIO MARZO - Laio
ROSAMARIA MURTINHO - Rejane
NELSON CARUSO - Odilon
MARIA FERNANDA - Lídia
FELIPE WAGNER - Roque
REGINA VIANA - Vera
OSMAR PRADO - Cássio
CARLOS EDUARDO DOLABELLA - Luizão
JOSÉ AUGUSTO BRANCO - Inácio
JOSÉ LEWGOY
MARIA CLÁUDIA
CARLOS GREGÓRIO - Valdir
ISABELA GARCIA - Malu
LAURO GÓES - Flávio Vicente
KÁTIA D'ANGELO - Ana Isabel
Joca
JÚLIA MIRANDA


Bastidores

Um ano e três meses após proibir Roque Santeiro como subversiva, a censura fez o mesmo com Despedida de Casado, "atentatória aos bons costumes". Dez dias antes de estrear, a direção da TV Globo de Brasília recebeu um comunicado oficial do Serviço de Censura e Diversões Públicas que declarava a novela definitivamente proibida. Trinta capítulos já haviam sido gravados e outros tantos escritos e sendo produzidos - um prejuízo de Cr$ 5 milhões na época.


Quando a equipe das novelas das 22 horas começou a se preparar para a produção daquela que se seguiria a Saramandaia, quatro sinopses foram enviadas ao Serviço de Censura, em Brasília. Eram O Casamento, de Wálter George Durst; uma adaptação de Dona Flor e Seus Dois Maridos; uma adaptação das crônicas de A Vida Como Ela É de Nelson Rodrigues; e uma adaptação de A Vida Escrachada de Baby Stompanato, de Consuelo Martines. Dessas quatro sinopses, apenas O Casamento foi liberado, mesmo assim com restrições quanto ao comportamento dos personagens esquizofrênicos que participavam de um grupo de análise.


Com a sinopse liberada e o título alterado para Despedida de Casado, o texto de Durst começou a ser gravado normalmente. O texto dos 30 primeiros capítulos já havia sido submetido à censura e estava aprovado, quando se iniciaram as gravações. Mas quando os capítulos gravados, editados e sonorizados, foram para as mãos da censura, a opinião dos censores mudou.

Wálter George Durst, o autor, declarou: "Estava trabalhando nesse enredo há quase três anos (...). A idéia era começar justamente onde todas as novelas acabam. Ou seja: a vida dos personagens centrais a partir do casamento".

A novela estrearia no dia 3 de janeiro de 1977, às 22 horas. Em seu lugar, a Globo reapresentou O Bem Amado em capítulos compactos.
Praticamente todo o elenco de Despedida de Casado foi aproveitado na nova produção do horário, Nina, também escrita por Wálter George Durst, que estreou em junho de 1977.
A abertura com seu tema musical (Bandido Corazon, de Ney Matogrosso) foi aproveitada na abertura de Coquetel de Amor, a novela dentro de Espelho Mágico.
Tema de Abertura:

BANDIDO CORAZON - Ney Matogrosso
 (Rita Lee) 

Bandido, bandido, bandido corazon.
No voy poder te amar.
 Bandido, bandido, bandido corazon.
No puedo controlar
Quero te pedir minhas desculpas.
Isso sempre acontece.
Tenho um coração que é desvairado.
E nunca me obedece.
Eu já sou um cara meio estranho.
Alguém me disse isso uma vez.
 Meu coração é de cigano.
Mas o que me salva é minha insensatez
Bandido, bandido, bandido corazon.
 No voy poder te amar
Bandido, bandido, bandido corazon.
 No puedo controlar
Eu que sempre fui chegado.
Ao romance e aventura.
Eu talvez seja condenado.
 A viver perto da loucura.
 Por isso quero te pedir minhas desculpas.
Eu canto mais uma vez.
 Meu coração é desvairado, eu sei.
Mas o que estraga é a sua timidez
Ai, ai, ai, ai, ai, ai...Bandido, bandido, bandido corazon.
No voy poder te amarBandido, bandido, bandido...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

SERIADO DE TV: JOANA COM REGINA DUARTE


Manchete / SBT
entre 1984 e junho de 1985
roteiros de Manoel Carlos, Miguel Filliage e Guga de Oliveira
direção de Paulo José, Laonte Klawa, Antônio Rangel e Guga de Oliveira
supervisão de Guga de Oliveira
criação de produção da Art Video

SINOPSE

A jornalista Joana Martins está em seu segundo casamento, com o professor Guilherme, mas tem três filhos (Rafael, Isabel e Carolina) com seu ex-marido, o advogado Sérgio. Joana precisa conciliar sua vida em família com seu trabalho na revista semanal Idéia Nova, na qual trabalha ao lado do fotógrafo Cacau e dos repórteres Joca e Caetano.
Seguindo a linha do jornalismo investigativo, Joana envolve-se em questões sociais, políticas e criminais.

ELENCO

REGINA DUARTE - Joana Martins
RODRIGO SANTHIAGO - Guilherme
UMBERTO MAGNANI - Sérgio
MARCO NANINI - Cacau
CACILDA LANUZA - Lourdes
REGINA BRAGA - Tereza
GERALDO DEL REY - Vicente
OTHON BASTOS - Melo
RENATO BORGHI - Caetano
GÉSIO AMADEU - Joca
FLÁVIO PORTO - Paulo
FERNANDO BEZERRA - Presidente
DAVID CARDOSO JR. - Rafael
ANDRÉA MILITELLO - Isabel
ÉRIKA SLAMA - Carolina
MARIA LUIZA CASTELLI - mãe de Joana

BASTIDORES

Produção independente do diretor Guga de Oliveira.

Quase um remake de Malu Mulher. As tramas tinham muitos pontos em comum, a começar pelas protagonistas interpretadas por Regina Duarte nos dois seriados, mulheres feministas e destemidas; os conflitos com a filha adolescente (Narjara Turetta/Érika Slama), e o ex-marido que a persegue (Denis Carvalho/Umberto Magnani).

Inicialmente exibida na Manchete, até que o produtor Guga de Oliveira se desentendeu com a emissora, no começo de 1985. Silvio Santos se interessou pela série, e passou a exibir a outra temporada de Joana no SBT.

Uma curiosidade: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, liberou alguns atores contratados da Globo para fazerem participações especiais em Joana sem maiores problemas. Boni é irmão de Guga de Oliveira (Carlos Augusto de Oliveira).Guga de Oliveira e sua produtora Miksom fariam ainda duas novelas para o SBT: Cortina de Vidro e Brasileiras e Brasileiros

TEMA DE ABERTURA:

 ESPELHO - Joanna
Quando eu me vejo aqui tão distraída assim.
Nosso lugar comum.
Pensando nessa força que nos rege.
Você é que ilumina todo meu interior
Revelações que vem do coração
Por essas avenidas, tanta sedução
Você também está
Marcou tão mansamente a minha alma
No meu caminho quando imagino estar só
Você me diz bem claro, estou aqui!
E é isso que me faz.
Sentir nesse momento
A sede inesperada
Das sensações
Do nosso amor tamanho
Que cresce na ausência.
E no grito das tensões
E assim cada vez mais.
Entendo esse desejo.
Que acende em cada beijo
Agora eu sei.
Sou cada vez mais livre.
Nas garras desse amor.
Ardente fogo das paixões.

EPISÓDIOS
1984

sair de sampa (10/03/84)
 pequenas autoridades (13/03/84)
 dona inês, uma mulher como muitas (30/03/84)
o fruto verde (27/03/84)
palmeiras x coríntians - parte 1 (03/04/84)
palmeiras x coríntians - parte 2 (10/04/84))
 o último gesto - parte 1 (17/04/84)
o último gesto - parte 2 (24/04/84)
milhões de dólares (01/05/84)
o milionário árabe (08/05/84)
a cabra cega - parte 1 (15/05/84)
a cabra cega - parte 2 (22/05/84)
salve-se quem puder (24/05/84)
dor e desejo (05/06/84)
krupskaya (12/06/84)
de véu e grinalda (19/06/84)
dose dupla (26/06/84)
louca vida (03/07/84)
s.o.s. solidão, brava gente brasileira, a tragédia em edição extra, o eterno feminino, dupla jornada, achados e perdidos, o mistério da lua e a força
das palavras.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A SEXY ESTRELA REGINA DUARTE

Ambígua.
Menina e Mulher. Pessoa e Personagem.
A Mais Sexy das Ingênuas.

REGINA DUARTE
Fotos: Luís Trípoli/Produção: Fernando de Barros.

Dez anos atrás, a adolescente bailarina Regina Blois Duarte abriu mão do seu nome do meio e resignou-se a ocultar seu corpo, da cintura para baixo, de forma a se adaptar aos enquadramentos da TV. Assim, como Regina Duarte, simplesmente, e apenas com o que o veículo selecionou de sua anatomia – o rosto, basicamente – veio a se tornar a única figura feminina com peso mítico equivalente ao de Roberto Carlos em todo o país.

Ao longo de quinze elásticas novelas, os telespectadores acompanharam piedosamente suas desventuras pontilhadas de vilões, rivais, diferenças de classe, e toda a sorte de doenças, a caminho do final feliz. No último capítulo, geralmente aos pés do altar, seu sorriso era a garantia, para milhões de Reginas, de que o bem, a pureza, a coragem e a humildade sempre trazem a justa paga. Ou, pelo menos, a próxima novela.
Então, de repente, o escândalo: não haveria mais próxima novela. Do alto de seus estonteantes índices de audiência, Regina dava um salto no escuro para voltar ao teatro, um gênero onde não fora particularmente feliz em duas tentativas anteriores. E, escândalo maior, a ex-namoradinha do Brasil iria viver, na peça Reveillon, de Flávio Márcio, o papel de uma prostituta.


- Vamos esclarecer esses dois pontos: em primeiro lugar eu não deixei a televisão, deixei as novelas e por puro cansaço. Em segundo lugar, detesto termos como “prostituta”, “negro”, “judeu”. São termos que restringem uma pessoa, e o personagem que eu faço na peça, a Janete, é mais uma garota de programas, uma moça esmagada entre a classe média em que vive e os sonhos criados pelos meios de comunicação.
(Sua voz é mais grave que na TV, seu rosto não aparenta os 28 anos que tem, seu corpo parece maior do que o 1,60m que mede.)

- O corpo, voltando ao teatro, tive que reaprender a usá-lo. Fui criada cheia de preconceitos, como toda minha geração, e, durante a adolescência, ele me parecia uma coisa muito vergonhosa, sabe, aqueles seios crescendo... Acho que por causa dessa formação é que fui descobrir o prazer que ele pode dar só um ano depois de casada! Outra grande transação com o corpo foi durante a primeira gravidez. Mas ele continua sendo uma coisa muito íntima, sabe, que reservo só para os que eu amo.

Entre seus amores, além do marido e do primogênito, está sua segunda filha, Gabriela, que ela pretende educar vendo no corpo “uma coisa pra ela curtir bastante, sabe, uma fonte de grandes prazeres...”

(Puxa, mas é uma Regina realmente surpreendente essa liberal tão disposta a lutar, no teatro e na vida real, contra tabus e acomodações! Morreu, então, a ingênua água-com-açúcar que ela tão bem representava, até ontem, como pessoa e como personagem?)

- Regina, você faria um papel que a obrigasse a representar nua?

- Não... Hoje eu ainda tenho que responder que não... (Longa pausa) Que coisa! Olha como você me deixou vermelha!

Fã de Fellini e de Ingmar Bergman, entre seus planos está uma volta ao cinema, provavelmente sob a direção de Roberto Santos.

“Meu corpo é uma coisa muito íntima que reservo só para os que eu AMO”.

“Há um ano atrás, eu não sentia dores, mas também não vibrava. Hoje, posso sofrer pra burro, mas também sou capaz de grandes alegrias. Quer dizer, apesar de ainda não estar tão rápida como gostaria, estou conseguindo me aprofundar mais em mim e nas pessoas. Há um ano atrás eu estava anestesiada... Hoje, estou viva.”

TEATRO: REGINA DUARTE


Regina, em sua belíssima carreira, viveu pelo menos duas PROSTITUTAS...

Vamos a elas: Numa participação especialíssima em 1995 no 'remake' da novela "Irmãos Coragem" de 1970 com uma ceninha relâmpago ao lado da filha (Gabriela Duarte) que vivia a personagem "Ritinha" encontramos a primeira prostituta. O 'remake' era uma espécie de comemoração dos 30 anos da TV Globo e vários artistas que atuaram na primeira versão da novela em 1970 (Regina era a Ritinha) estavam lá!

A segunda: Janete da peça teatral "Revèillon" de 1975.

Tema caro a Flávio Márcio, a incomunicabilidade inerente às relações humanas, principalmente familiares, é o ponto central abordado pelo espetáculo, que mostra o cotidiano de um lar de classe média paulistana à véspera do Ano-Novo. Central também é a personagem Janete (papel consagrado por Regina Duarte há quase 30 anos), a filha que se prostitui para sustentar a casa. Das primeiras horas da manhã até a meia-noite do dia 31 de dezembro, em meio aos rituais típicos da data e flashbacks, ela assiste à própria decadência e à de seus familiares, a mãe Adélia, o pai Murilo e o irmão mais novo, Guima.
Abaixo, o que a crítica disse da peça e de nossa estrela...
10/ 4/ 1975 - São Paulo/SPTeatro Sesc Anchieta


Texto de Flávio Márcio, integrante de trilogia dedicada à análise da classe média, síntese de seu pensamento autoral. A trilogia é formada À Moda da Casa, 1973; Revèillon, 1974, e Tiro ao Alvo, 1978. Em todos eles o autor efetiva uma análise do núcleo familiar de classe média, revelando aspectos soturnos, grotescos e, especialmente, seus rituais esvaziados e que beiram o absurdo. Seu estilo evidencia um humor ríspido, e não raro apela para um realismo fantástico.


Revèillon sobe à cena, inicialmente, numa montagem de Aderbal Freire Filho, com o Grêmio Dramático Brasileiro, em 1974. A montagem chama a atenção da crítica e faz Regina Duarte por ele interessar-se, produzindo-o no ano seguinte em São Paulo, obtendo grande repercussão e contribuindo para firmar o autor no panorama artístico.


A direção de Paulo José aliada à grande sensibilidade dos cenários e figurinos de Flávio Império, constrói um apartamento cercado de outdoors publicitários, onde a projeção de slides torna a opressiva vida urbana materializada em cena, potencializando os conflitos. A festa de Revèillon, entremeada com dados do passado trazidos a cena por flashbacks, revela as personagens, que não sabem ou não conseguem expressar o que aconteceu às suas vidas. A emergência do final do ano evidencia as diversas crises e aponta o mesmo doloroso destino: cada um mata-se de um jeito, certos de estarem fazendo a melhor escolha.


"Quase não se acredita que Paulo José tenha realizado uma encenação tão eficaz, sendo reduzida a sua experiência nesse campo. Esse espetáculo pertence a um diretor que vai do perfeito domínio artesanal a uma imaginação fértil e uma lucidez aguda na análise do texto e na fatura da montagem. Paulo segura o espectador pelo pescoço, oprime-o pela passagem do trivial ao grotesco e ao trágico",1 destaca o crítico Sábato Magaldi em sua análise.


As interpretações do elenco constituem o outro pilar que ajuda a peça a alcançar toda sua força em cena. Como destaca a crítica Ilka Marinho Zanotto: " Regina Duarte confere verdade a todas as facetas de um personagem que desliza constantemente do plano real para o imaginário; seguida de perto pela mãe – uma Yara Amaral exccelente - que consegue traçar em duas horas de espetáculo um registro sem retoque e angustiante daqueles seres fronteiriços que, conscientes embora do naufrágio, continua pintando os parafusos do navio".2

Revèillon é o texto mais representativo do dramaturgo Flávio Márcio, que falece em 1979 deixando, além da trilogia encenada, duas peças inéditas: Um Minutinho Só e O Homem do Disco Voador.

Notas:
1. MAGALDI, Sábato. Em cartaz, uma esperança no teatro. Jornal da Tarde. [Recorte sem data. Arquivo IDART/CCSP].2. ZANOTTO, Ilka Marinho. Reveillon, a fábula da desesperança. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 abr. 1975.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

NOVELA: ROQUE SANTEIRO (1985)


Roque Santeiro foi uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo e exibida de 24 de junho de 1985 a 22 de fevereiro de 1986, com 209 capítulos. Original de Dias Gomes, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, com colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis e pesquisa de texto de Lilian Garcia.

Direção de Gonzaga Blota, Paulo Ubiratan, Marcos Paulo e Jayme Monjardim.Na cidade fictícia de Asa Branca, há 17 anos, o coroinha Luiz Roque Duarte, conhecido como Roque Santeiro por sua habilidade em modelar santos, morreu ao defender dos homens do bandido Navalhada o povo, logo após seu misterioso casamento com a desconhecida Porcina. Santificado pelo povo, que lhe atribui milagres, tornou-se um mito e fez prosperar a cidade ao redor da sua história de heroísmo.

Só que Roque não está morto e volta à cidade, ameaçando pôr um fim ao mito. Sua presença leva ao desespero o padre Hipólito, o prefeito Florindo Abelha e o comerciante Zé das Medalhas, principal explorador do santo. Mas o maior prejudicado é Sinhozinho Malta, o todo-poderoso fazendeiro do lugar, que vê ameaçado o seu romance com a "viúva" Porcina, que nunca foi casada com Roque e sempre viveu à sombra de uma mentira articulada por Malta. Mentira institucionalizada para fortalecer o mito e tirar vantagens pessoais.

Ao retornar, Roque interfere na relação de Sinhozinho e Porcina, além de reacender a paixão de Mocinha, a verdadeira noiva, que nunca se conformou com seu desaperecimento e que se manteve casta à espera de seu amor, mesmo pensando que ele estivesse morto. Ela é filha do prefeito Abelha e da beata dona Pombinha, sendo cortejada pelo soturno professor Astromar Junqueira, suspeito de ser o lobisomem.

Asa Branca também fica agitada com a chegada de Matilde, que monta o único hotel da cidade, a Pousada do Sossego, e traz do Rio de Janeiro duas prostitutas, Ninon e Rosaly, que vão trabalhar em sua "Boate Sexus", e enfrentar a ferrenha oposição do padre Hipólito e das beatas da cidade, comandadas por dona Pombinha Abelha.

Também chega à cidade a equipe de filmagem comandada por Gerson do Valle, o cineasta que vai filmar "A saga de Roque Santeiro". A película tem como astros principais a atriz Linda Bastos, casada com o ciumento Tito e por quem o diretor é apaixonado;e o mulherengo ator Roberto Mathias, que acaba por se envolver com a viúva Porcina, com Tânia, filha de Sinhozinho Malta, e com Lulu, a reprimida esposa de Zé das Medalhas.
 
ELENCO

Regina Duarte - Viúva Porcina, a "que era sem nunca ter sido" (Porcina da Silva)
Lima Duarte - Sinhozinho Malta (Francisco Teixeira Malta)
José Wilker - Roque Santeiro (Luís Roque Duarte)
Yoná Magalhães - Matilde Mendes de Oliveira
Lucinha Lins - Mocinha Abelha, a "viúva virgem"
Fábio Júnior - Roberto Mathias
Ary Fontoura - Prefeito Florindo Abelha
Eloísa Mafalda - Dona Pombinha (Ambrosina Abelha)
Armando Bógus - Zé das Medalhas (José Ribamar de Aragão)
Cássia Kiss - Lulu (Lucinda de Aragão)
Paulo Gracindo - Padre Hipólito
Cláudio Cavalcanti- Padre Albano, o "padre vermelho"
Lídia Brondi - Tânia Magalhães Malta
Oswaldo Loureiro - Navalhada
Ruy Rezende - Professor Astromar Junqueira
Ewerton de Castro - Gerson do Valle
Patrícia Pillar - Linda Bastos Moreyra França
Luiz Armando Queiroz - Tito Moreyra França
Wanda Kosmo - Dona Marcelina Magalhães
Nélia Paula - Amparito Hernandez
João Carlos Barroso - Toninho Jiló
Arnaud Rodrigues - Cego Jeremias
Nelson Dantas - Beato Salu (Salustiano Duarte)
Elizângela - Marilda
Maurício do Valle - Delegado Feijó
Cláudia Raia - Ninon
Ísis de Oliveira - Rosaly
Maurício Mattar - João Ligeiro (Irmão de Roque Santeiro)
Othon Bastos - Ronaldo César
Milton Gonçalves - Promotor público Lourival Prata
Ilva Niño - Mina
Tony Tornado - Rodésio
Ângela Leal - Odete
Regina Maria Dourado - Efigênia
Ângela Figueiredo - Selma Sotero
Alexandre Frota - Luizão
Cláudia Costa - Carla
Cristina Galvão - Dondinha

Participações especiais

Luís Melo - Flávio Cardoso
Lilian Lemmertz - Margarida Magalhães Malta
Paulo César Pereio - Delegado Benevides
Tarcísio Meira - Coronel Emerenciano Castor
Heloísa Helena - Madre Felícia
Lutero Luiz - Dr. Cazuza
Marcos Paulo - De Lima
Cláudio Gaya - Jurandir
Jorge Fernando - Lúcio Armando
 
CURIOSIDADES

Roque Santeiro é uma das melhores telenovelas já produzidas e um marco dentro da história da teledramaturgia brasileira. Seus personagens até hoje são inesquecíves.

Dias Gomes criou Roque Santeiro baseado em uma peça de teatro, de sua autoria, chamada O berço do herói, que havia sido censurada e proibida. A telenovela seria exibida em 1975 pela Rede Globo e já tinha vários capítulos gravados, além de chamadas anunciando sua estréia. Porém, no dia da estréia, a Rede Globo recebeu ofício do governo federal censurando a telenovela.
 
A emissora então pôs no ar uma reprise de Selva de Pedra, de Janete Clair, enquanto outra era escrita - Pecado Capital -, também de Janete. O motivo da censura foi uma escuta telefônica do governo, em que foi gravada uma conversa de Dias Gomes, em que ele afirmava que Roque Santeiro era apenas uma forma de enganar os militares, adaptando O Berço do Herói para a televisão, com ligeiras modificações que fariam com que os militares não percebessem que se tratava da mesma obra.

Dez anos depois, já no governo civil de José Sarney, a telenovela foi finalmente liberada e pôde ser exibida. Por consideração aos artistas envolvidos no trabalho original, os mesmos foram convidados a retomar seus personagens. Porém, Francisco Cuoco e Betty Faria, recusaram os papéis de Roque Santeiro e Viúva Porcina, Lima Duarte retomou o personagem Sinhozinho Malta. Além de Lima, outros atores que participaram da versão censurada e que retornaram nesta com os mesmos papéis foram João Carlos Barroso, Luiz Armando Queiroz e Ilva Niño. Elizângela foi Tânia em 1975, desta vez viveu Marilda. Milton Gonçalves, que em 1975 interpretava o padre Hipólito, em 1985 foi Lourival Prata, o promotor público.

O clímax da telenovela foi quando padre Albano (Claudio Cavalcanti) bate o sino da igreja e reúne todos na praça da matriz para desvendar a farsa do santo que está vivo. Só que, nesse dia, o Beato Salu, que estava em coma, “ressuscita”, e o povo crente, em vez de ouvir a verdade, acaba celebrando mais uma vez os milagres de Roque Santeiro. "O mito é mais forte que a verdade" é a constatação. Essa inteligente sátira serviu para ilustrar, de forma decisiva, que Asa Branca representava uma miniatura do Brasil.

Foram gravados dois finais para a telenovela, um no estilo do filme Casablanca, no qual Porcina fica em dúvida se embarca com Roque no avião ou continua com Sinhozinho Malta, por fim vai embora. No final exibido a viúva opta por permanecer ao lado do coronel, e os dois terminam acenando para Roque, que vai embora.

Inúmeros foram os destaques do elenco, graças a personagens inesquecíveis: o Sinhozinho Malta de Lima Duarte; o casal Florindo Abelha e dona Pombinha de Ary Fontoura e Eloísa Mafalda; o padre Hipólito de Paulo Gracindo; Zé das Medalhas e sua reprimida esposa Lulu, Armando Bogus e Cássia Kiss; o hilário "guia turístico" Toninho Jiló de João Carlos Barroso(seu melhor papel na TV); o professor Astromar de Ruy Rezende (o lobisomem); o cego Jeremias de Arnaud Rodrigues; o engraçado Beato Salu de Nelson Dantas; as provocadoras "meninas da boate" de Claudia Raia, Isis de Oliveira, Yoná Magalhães e Nélia Paula; a confusa equipe de cinema, entre outros. Mas, com certeza, quem mais brilhou foi Regina Duarte, vivendo a Viúva Porcina, que de "Namoradinha do Brasil" passou a "Amante Nacional"!

Sinhozinho Malta tinha uma característica que ficou marcante e lembrada até os dias de hoje: quando estava nervoso, sacudia as pulseiras, num tique acompanhado por um efeito sonoro, que reproduzia o som de uma cascavel, seguido do bordão “Tô certo ou tô errado?”.

Primeira telenovela de Patrícia Pillar, Maurício Mattar e Cláudia Raia.
A telenovela atingiu 90 pontos de média em seu derradeiro capítulo, tendo chegado a 100 pontos em alguns momentos.

Roque Santeiro é, até hoje, a novela de maior audiência da história da televisão brasileira, tendo uma média geral de 74 pontos de audiência, segundo dados da própria Rede Globo.

Destaque para as execelentes trilhas da novela que criou fato inédito até então. Foram lançadas duas trilhas nacionais da novela, devido ao sucesso dos temas.

A telenovela também foi exibida em Portugal e em Angola, onde deu nome ao mercado aberto de Luanda.

Na primeira versão da telenovela, em 1975, o padre Hipólito se chamava padre Honório, sendo interpretado por Milton Gonçalves, e o bandido Navalhada se chamava Trovoada, papel de Rafael de Carvalho.

Roque Santeiro foi reapresentada pela Rede Globo em duas ocasiões:no fim da tarde, na Sessão Aventura, de 1 de julho de 1991 a 3 de janeiro de 1992; e de 11 de dezembro de 2000 a 29 de junho de 2001, às 14h20, na sessão Vale a Pena Ver de Novo. Na primeira reprise, compactada em 135 capítulos, a audiência foi satisfatória, muito maior do que a das séries estrangeiras que ocupavam o horário, conforme divulgado pela imprensa na época. Infelizmente, sua segunda reprise, em 145 capítulos, não foi um sucesso desejado pela emissora deixando a emissora varia vezes em segundo lugar no ibope, de acordo com o que foi divulgado pela imprensa, o que fez, pela primeira vez, exibir outro programa na faixa: Você Decide, que conseguiu reduzir mais ainda os índices de audiência.

Na reprise da Globo Internacional, começou pouco tempo depois do Brasil, em Janeiro de 2001.

Obs na Globo Internacional Roque Santeiro fui um sucesso de publico e de critica

QUEM É ROQUE SANTEIRO?

Luís Roque Duarte, conhecido como Roque Santeiro por sua habilidade em modelar santos, morre ao defender a população de Asa Branca do bandido Navalhada. Santificado pelo povo por este ato, Roque reaparece na cidade para pôr um fim ao mito criado sobre a sua história. A presença do "morto" leva ao desespero o padre Hipólito, o prefeito Florindo Abelha e o comerciante Zé das Medalhas, principal explorador da imagem do santo. O mais preocupado é Sinhozinho Malta, poderoso fazendeiro da região, que vê ameaçado seu romance com a Viúva Porcina. Esta sustentou durante anos uma mentira criada por Sinhozinho de que ela teria sido casada com o santo. Para piorar, Roque fica hospedado na casa dela, despertando o desejo da viúva.

TRILHA NACIONA:
 
01-Isso Aqui Tá Bom Demais - Dominguinhos part. esp. Chico Buarque) (tema de Sinhozinho Malta)
02-A Outra - Simone (tema de Lulu)
03-Sem Pecado e Sem Juízo - Baby Consuelo (tema de Linda Bastos e Gerson)
04-Chora Coração - Wando (tema de Mocinha)
05-Mistérios da Meia-noite - Zé Ramalho (tema do lobisomem)
06-Santa Fé - Moraes Moreira (tema de abertura)
07-Dona - Roupa Nova (tema de Porcina)
08-De Volta Pro Aconchego - Elba Ramalho (tema de Roque)
09-Indecente - Anne Duá (tema de Matilde)
10-Coração Aprendiz - Fafá de Belém (tema de Tânia)
11-Roque Santeiro - Sá & Guarabira (tema de locação)
12-Cópias Mal Feitas - Alceu Valença (tema de Zé das Medalhas)

TRILHA 2

01-Malandro Sou Eu - Beth Carvalho (tema de Roque)
02-Coisas do Coração - Ritchie (tema de Tânia)
03-Pelo Sim, Pelo Não - Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Sinhozinho Malta)
04-Vitoriosa - Ivan Lins (tema de Lulu)
05-Fruta Mulher - Nana Caymmi (tema de Matilde)
06-Verdades e Mentiras - Sá & Guarabira (tema de locação)
07-Mil e Uma Noites de Amor - Pepeu Gomes (tema de Linda Bastos e Gerson)
08-A Hora e a Vez - Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Porcina)
09-Mal Nenhum - Joanna (tema de Ninon e Delegado Feijó)
10-Entra e Sai de Amor - Altay Velloso (tema de Tânia e Padre Albano)
11-Amparito Amor - Cauby Peixoto (tema de Amparito Hernandez)
12-Mal de Raiz - MPB4 (tema de Mocinha)
 
PRÊMIOS:

Troféu APCA (1985):
Melhor Novela
Melhor Atriz - Regina Duarte
Melhor Ator - Lima Duarte
Revelação Feminina - Cláudia Raia
Melhor Texto de Novela - Dias Gomes e Aguinaldo Silva
Troféu Imprensa (1985):
Melhor Novela
Melhor Atriz - Regina Duarte
Melhor Ator - Lima Duarte
Revelação do Ano - Cláudia Raia (empate com Tetê Espindola)