segunda-feira, 2 de novembro de 2026

60 ANOS DE REINADO COM 100% DE AUDIÊNCIA E FOI PARA O PÓDIO DA TV


O Reinado do Afeto: 60 Anos de Carreira de Regina Duarte e o Feito Impossível dos 100% de Audiência

​Ao longo de mais de seis décadas de história da televisão brasileira, raros artistas conseguiram moldar a identidade cultural de um país como Regina Duarte. Com uma trajetória marcada pela versatilidade, talento dramático e um carisma arrebatador, a atriz não apenas alcançou o pódio da TV — ela estabeleceu um marco absoluto ao se tornar a única protagonista da história a atingir incríveis 100% de audiência.

 

​A Rota do Sucesso: De Véu de Noiva ao Topo do Brasil

​O caminho até o topo começou a ser pavimentado com audácia em 1969, quando Regina Duarte estreou na TV Globo como a protagonista Andréa na revolucionária novela Véu de Noiva.

 


​Quebra de paradigmas: Em uma época em que o teledrama ainda era dominado por produções caricatas de época, Véu de Noiva apostou no realismo, na linguagem coloquial e na juventude.

​Abertura de portas: Ao interpretar uma jovem humilde que enfrentava dilemas modernos, paixões avassaladoras e dramas judiciais gravados sem ensaio ao vivo, Regina capturou o coração dos telespectadores.

​Construção de uma estrela: Sua atuação naturalista e emocionante em Véu de Noiva provou que a televisão precisava de uma nova linguagem, transformando a jovem atriz na grande promessa que logo se tornaria a "Namoradinha do Brasil".

​O Recorde Histórico: Os 100% de Audiência em Selva de Pedra

​Se Véu de Noiva abriu as portas do pódio, foi em 1972 que Regina Duarte conquistou um feito definitivo e jamais repetido na história da comunicação brasileira.

 


​Na pele da inesquecível Simone Marques na novela Selva de Pedra (também de Janete Clair), ao lado de Francisco Cuoco, a atriz estrelou o famoso capítulo 152. Na noite de 4 de outubro de 1972, quando sua personagem finalmente se revelava e tirava a máscara perante a sociedade, 100% dos aparelhos de televisão ligados nas metrópoles do Rio de Janeiro e de São Paulo estavam sintonizados na novela.

 

​Um feito insuperável: Nem a copa do mundo, nem os grandes eventos globais ou as superproduções modernas da era digital conseguiram replicar a façanha. Não havia uma única pessoa assistindo a outro canal. Regina paralisa o Brasil e colocou a teledramaturgia no patamar de paixão nacional.

 

 


 

​Seis Décadas de Protagonismo Unanimidade

​Chegar aos 60 anos de carreira com um catálogo de personagens antológicas — de Simone Marques a Viúva Porcina (Roque Santeiro) e as marcantes "Helenas" de Manoel Carlos — reforça que o sucesso de Regina Duarte nunca foi um acaso técnico.

 


​Em uma época sem internet, sem redes sociais e com recursos tecnológicos limitados, a atriz construiu sua soberania com o poder da interpretação visceral, do olhar e da identificação popular. A jornada que começou com a coragem de Véu de Noiva culminou no fenômeno dos 100% de audiência, fixando Regina Duarte no pódio mais alto da arte dramática brasileira como uma lenda viva do entretenimento.

A PROTAGONISTA E O MILAGRE ANALÓGICO DE VÉU DE NOIVA


O Milagre Analógico: Como Véu de Noiva Conquistou o Brasil Sem Tecnologia e Vence o Tempo

​Em 1969, a televisão brasileira vivia sob a estética distante dos castelos, calabouços e dramas de época importados. Foi nesse cenário que a Rede Globo arriscou um "tiro no escuro": Véu de Noiva, novela de Janete Clair dirigida por Daniel Filho.

 

​Sem os recursos de computação gráfica, efeitos digitais ou inteligência artificial que dominam as produções atuais, a equipe utilizou puro talento, improviso e coragem para criar uma obra-prima moderna que, curiosamente, soa mais vibrante e inovadora do que muita superprodução tecnológica de hoje.

 

​1. O Fim dos Estúdios Escuros e a Chegada do Realismo

​Enquanto a tecnologia atual permite criar qualquer cenário digitalmente em segundos, Véu de Noiva inovou ao sair para as ruas.

 

​Adeus aos cenários de mentira: a trama trocou as masmorras por um Rio de Janeiro luminoso, boates da moda em Ipanema, autódromos e casas de campo.

​Pela primeira vez, o público viu o Brasil real na tela, embalado pela velocidade da Fórmula 1 (na época em que Emerson Fittipaldi despontava e o piloto Jackie Stewart gravou uma participação especial).

​2. O Roteiro Vivo: A Gênese do "Quem Matou?" e das Tramas Paralelas

​Sem o auxílio de softwares de roteiro ou pesquisas milimetricamente calculadas por algoritmos, Janete Clair inventou a gramática da telenovela moderna no improviso:

 



​O primeiro "Quem Matou?": Quando o ator Geraldo Del Rey pediu para sair da novela no 30º capítulo, Janete transformou o problema em ouro ao criar o primeiro assassinato misterioso da nossa TV ("Quem matou Luciano?"), dando origem ao bordão nacional.

​Tramas paralelas: Com medo de a história principal se esgotar, Janete criou núcleos paralelos para aliviar a tensão e enriquecer a narrativa — uma estrutura essencial usada até hoje.

​Crossover audacioso: Em uma sacada genial de metalinguagem, Janete uniu forças com Dias Gomes (autor da novela das dez, Verão Vermelho) para fazer os personagens transitarem entre as duas novelas em busca de um médico charlatão.

​3. O Julgamento Real: Drama Sem Rede de Proteção

​Imagine gravar uma cena decisiva de tribunal onde nem o diretor, nem a autora, nem os atores sabiam o final.

 

Para decidir com quem ficaria a guarda da criança disputada pelas irmãs Andréa (Regina Duarte) e Flor (Myrian Pérsia), Daniel Filho convocou um juiz de verdade (Eliézer Rosa) e um júri popular. O julgamento foi gravado direto, sem ensaios e sem cortes. A tensão, o suor e as lágrimas das atrizes eram 100% reais. Uma ousadia emocional que nenhuma inteligência artificial ou efeito especial consegue replicar.

 


​4. Pioneirismo Musical e Linguagem Jovem

​Diálogos coloquiais: Diálogos curtos e linguagem jovem que atraíram uma nova geração.

​A primeira trilha sonora comercial da TV: Produzida por Nelson Motta, foi o primeiro disco lançado no Brasil dedicado exclusivamente a uma novela, reunindo joias como Teletema (Regininha), Irene (gravada por Elis Regina a pedido de Caetano Veloso antes do exílio) e Gente Humilde (enviada por Chico Buarque da Itália).

Live Action da capa original

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Uma Obra que Venceu o Tempo

​Hoje, a tecnologia nos dá imagens em 4K, edição instantânea e mundos virtuais hiper-realistas. Contudo, Véu de Noiva prova que a verdadeira inovação está na coragem criativa. Feita com cortes secos, película, lâmpadas de rua, chuva de improvisos (como o dia em que faltou luz em vários bairros do Rio na exibição do atropelamento de um personagem) e uma ousadia artística visceral, a novela revolucionou a teledramaturgia brasileira e continua superando o teste do tempo com muito mais alma e inovação genuína do que grande parte da tecnologia atual.

60 ANOS DE CARREIRA DE REGINA DUARTE E O IMPACTO TRANSFORMATIVO DA SUA PRIMEIRA NOVELA NA GLOBO


O Impacto Transformativo de Véu de Noiva: Por Que Gerações Passadas Lembram com Entusiasmo — e o Que Faltava às Novelas Atuais

​Quando as gerações que viveram a virada dos anos 1960 para os anos 1970 falam de Véu de Noiva, o tom raramente é de mera lembrança vaga; é o de quem testemunhou uma revolução. Para compreender esse entusiasmo genuíno, é preciso entender o contexto da época: Véu de Noiva não foi apenas mais uma novela, mas a obra responsável por inventar a teledramaturgia brasileira moderna, rompendo com o tom folhetinesco arcaico, melancólico e distante dos folhetins cubanos e mexicanos.

 Ao comparar esse marco histórico com a dinâmica das produções de ficção televisiva atuais, sobressaem-se as razões da fascinação duradoura daquela geração.

 


​1. O Choque do Realismo contra a Hiperexposição Atual

​Naquela época (Véu de Noiva): A televisão vendeu a trama com o bordão "A novela-verdade: onde tudo acontece como na vida real". Pela primeira vez, os personagens falavam como pessoas normais, vestiam-se de forma contemporânea e viviam em cenários urbanos reconhecíveis. O automobilismo, o esporte e os dilemas éticos da cirurgia plástica trouxeram um dinamismo inédito.

 

​Hoje: O público moderno está saturado de hiper-realismo e exposição diária nas redes sociais. A linguagem contemporânea é ágil, mas perdeu a capacidade de causar o "efeito espelho" ou a sensação de choque e novidade visual que Véu de Noiva provocou ao colocar corridas de Fórmula 1 e técnicas de chroma key no horário nobre.

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2. A Inovação Visual como Experiência Sensorial Recusada

​Naquela época: Como narrado no livro O Circo Eletrônico por Daniel Filho, a abertura combinava corridas de carros, fumaça, um acidente fictício bem na transição dos créditos e um véu suspenso no ar ao som do jazz instrumental de Marcos Valle ("Azimuth"). Era uma colagem pop e ousada. Até a publicidade era integrada de forma inovadora: a roda do carro girava para introduzir o patrocinador (Leite de Magnésia de Philips).

​Hoje: As aberturas atuais tendem a ser padronizadas em computação gráfica e, muitas vezes, são puladas pelos espectadores nas plataformas de streaming. A abertura de Véu de Noiva era um acontecimento estético em si, gerando expectativa antes mesmo do início do capítulo.

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3. A Construção da Catarse Coletiva

​Naquela época: Com Véu de Noiva, Janete Clair estabeleceu o conceito das tramas paralelas interligadas e do whodunit ("quem matou?") que parava o país. A morte do personagem Luciano e o subsequente julgamento em tribunal geraram uma comoção nacional. O público acompanhava o desenrolar com suspense genuíno, alimentado pela incerteza e pelo ritmo diário das transmissões em preto e branco.

 

​Hoje: A fragmentação da audiência e o consumo sob demanda (onde o público assiste em ritmos e tempos diferentes) enfraqueceram a experiência do "país parado na frente da TV". As novelas contemporâneas disputam atenção com múltiplos estímulos e redes sociais, tornando difícil a recriação daquele engajamento mítico.

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4. A Matriz dos Grandes Ícones da TV

​Naquela época: Véu de Noiva marcou a estreia de Regina Duarte na TV Globo e a consolidação da química com Cláudio Marzo — uma parceria que viria a definir a dramaturgia nacional nas produções seguintes (como Irmãos Coragem). Assistir à novela significava testemunhar a fundação do próprio "star system" da televisão brasileira.

 

​Hoje: O conceito de grande astro da TV mudou. A rotatividade de atores é muito maior e a identidade de um "par romântico nacional" perdeu força com a descentralização das produções.

 

​Resumo Comparativo

Véu de Noiva (1969–1970)

 

Novelas Atuais

 

Linguagem Dramática

 

Ruptura com o melodrama arcaico; introdução do estilo contemporâneo e naturalista.

 

Fórmulas narrativas consolidadas, buscando adaptação aos ritmos da internet.

 

Estética Visual

 

Experimentalismo, uso audacioso de chroma key, colagem com automobilismo real.

 

Alta definição (4K/8K), pós-produção padronizada e computação gráfica.

 

Engajamento do Público

 

Evento coletivo e de massa num momento em que a TV se consolidava no país.

 

Consumo pulverizado em streaming, telas secundárias e audiência segmentada.

 

Trilha Sonora

 


Inovação com trilha instrumental marcante, impulsionando a criação da Som Livre.

 

Conclusão: Por Que o Entusiasmo Permanece?

​O entusiasmo das gerações passadas por Véu de Noiva deriva da sensação de ter vivido o pioneirismo. Não se tratava apenas de assistir a uma novela; era a experiência de ver a televisão brasileira se profissionalizar, criar uma linguagem moderna e integrar a cultura do país.

 

 


​Para quem viveu aquela época, Véu de Noiva representa o momento em que a televisão deixou de ser uma promessa técnica para se transformar na paixão cultural do Brasil.

 

Músicas pop consolidadas e curadoria focada em tendências comerciais.

A INOVADORA ABERTURA DA OBRA-PRIMA VÉU DE NOIVA DE JANETE CLAIR LEVA REGINA DUARTE AO PÓDIO DA AUDIÊNCIA

 


Véu de Noiva: A Inovadora Abertura da Obra-Prima de Janete Clair

​Exibida entre 10 de novembro de 1969 e 6 de junho de 1970, às 20h, Véu de Noiva foi uma das telenovelas mais marcantes da história da Rede Globo. Com 204 capítulos, a trama escrita por Janete Clair e produzida e dirigida por Daniel Filho revolucionou não apenas a dramaturgia, mas também o conceito visual e publicitário da televisão brasileira na época.

 




​A Concepção da Abertura

​Em seu livro O Circo Eletrônico, Daniel Filho detalha o processo criativo por trás da icônica abertura da novela, que misturava velocidade, suspense e estética cinematográfica:

 

​O Ponto de Partida: A sequência iniciava com a clássica bandeira quadriculada de corrida de carros, sobre a qual apareciam o título da novela e os nomes dos atores protagonistas inseridos nos próprios quadriculados.

​A Transição e o Acidente: A bandeira ia esmaecendo e dava lugar a imagens reais de uma corrida de Fórmula 1, onde desfilavam os créditos dos demais integrantes do elenco. No ápice da sequência — precisamente no momento do crédito do ator Álvaro Aguiar —, a tensão aumentava com a cena de um carro derrapando em meio a muita fumaça, simulando um acidente.

​O Clímax Visual: Logo após a colisão, com o auxílio da técnica de chroma key, surgia a imagem dramática de um véu de noiva flutuando ao vento sobre um fundo escuro.

​Identidade Visual: Complementando a sequência, após a transição da bandeira, a animação exibia a gravura de um pneu com o aro característico dos carros de corrida da época. O elemento girava em alta velocidade até dar origem ao logotipo oficial de Véu de Noiva.

​Trilha Sonora e Patrocínio

​A atmosfera eletrizante da abertura era embalada pela música "Azimuth (Mil Milhas) - Apolo IV", composta por Marcos Valle e Novelli.

 

​O projeto contava com o patrocínio do tradicional Leite de Magnésia de Philips (no Rio de Janeiro). A marca se integria à estética da novela de forma criativa: ao término de cada capítulo, a cena final era sobreposta por uma vinheta de encerramento em que o mesmo aro de pneu de corrida girava, revelando um gigantesco vidro do produto ao lado da mensagem "Estamos apresentando".

 


​Ficha Técnica

​Autoria: Janete Clair

​Direção e Produção: Daniel Filho

​Período de Exibição: 10/11/1969 – 06/06/1970

​Horário: 20h

​Número de Capítulos: 204

IRMÃOS CORAGEM VEM EM 2027 PARA HOMENAGEAR OS 60 ANOS DE CARREIRA DE REGINA DUARTE COM SUA RITA DE CASSIA CORAGEM

 


Um Marco da TV Brasileira: Regina Duarte e o Retorno Histórico de Irmãos Coragem

​O ano de 2027 será duplamente especial para a dramaturgia brasileira e para uma de suas maiores estrelas. Em 5 de fevereiro de 2027, a inesquecível Regina Duarte celebrará 80 anos de vida e impressionantes 60 anos de carreira, consolidando um legado eterno na televisão.

 


​Para coroar essa data memorável, o Globoplay disponibilizará em seu catálogo — ainda sem data exata de estreia em 2027 — um dos maiores fenômenos da nossa história televisiva: a clássica novela Irmãos Coragem.

 



 Uma Obra-Prima de Janete Clair

​Escrita pela genial Janete Clair e com direção-geral de Daniel Filho, a trama foi um divisor de águas na televisão. Ambientada na fictícia cidade de Coroado, no interior de Goiás, a história narra a luta da família Coragem — formada pela mãe Sinhana (Zilka Salaberry) e pelos três irmãos João (Tarcísio Meira), Jerônimo (Cláudio Cavalcanti) e Duda (Cláudio Marzo, par romântico de Regina Duarte) — contra a tirania do poderoso coronel Pedro Barros (Gilberto Martinho).

 

​O conflito se instaura quando o humilde garimpeiro João encontra um valioso diamante e passa a ser implacavelmente perseguido, dando início a uma narrativa eletrizante de aventuras, injustiças, paixões reprimidas e lutas por justiça.


 

​ Curiosidades e Grandiosidade de Irmãos Coragem

​Pioneirismo Cenográfico: Coroado foi a primeira cidade cenográfica da TV Globo. Construída em uma área de 5.000 m^2 na Barra da Tijuca, representou o maior empreendimento cenográfico da televisão brasileira até então.

​Elenco Estelar: A produção reuniu o maior elenco de telenovelas da época e marcou a estreia de Sônia Braga na emissora.

​Casais Icônicos: A novela uniu as duas duplas de maior sucesso da televisão na época: Tarcísio Meira e Glória Menezes, e Cláudio Marzo e Regina Duarte.

​Fenômeno de Audiência: O sucesso foi tão absoluto que a trama chegou a registrar índices superiores aos da transmissão da final da Copa do Mundo de 1970, entre Brasil e Itália.

​Prepare-se para reviver (ou descobrir) essa obra-prima que moldou os rumos da nossa teledramaturgia e celebrou grandes talentos, liderados pela grandiosa Regina Duarte.

 

60 ANOS DE CARREIRO DE REGINA DUARTE COM SÉTIMO SENTIDO


Sétimo Sentido: O Retorno de um Clássico Místico de Janete Clair ao Globoplay

​A aclamada novela Sétimo Sentido, obra marcante da saudosa "mestra das novelas das oito" Janete Clair, retorna ao catálogo do Globoplay para assinantes no dia 30 de novembro. A reestreia ganha ainda mais significado ao coincidir com um momento emblemático para sua protagonista: a grande estrela da televisão brasileira, Regina Duarte, celebrará 60 anos de carreira artística e 80 anos de vida no primeiro semestre de 2027, com marco festivo em 5 de fevereiro.

 




​Na trama, marcada pelo misticismo e pelo sobrenatural, Regina Duarte deu vida a duas das personagens mais memoráveis de sua trajetória: Luana Camará e Priscila Capricce. O enredo explorou o duplo em sua máxima potência, unindo dois perfis femininos completamente distintos em uma conexão que desafiava a própria realidade.

 


​Os Perfis das Personagens

​Priscila Capricce: Uma atriz italiana sofisticada, de apenas 27 anos, mas dona de uma beleza estonteante, sensualidade marcante e personalidade forte. Celebrada no meio artístico, sua vida é tragicamente interrompida ao ser brutalmente assassinada por um amante, deixando para trás uma mãe e uma filha desaparecida a quem dedicava profundo afeto.

​Luana Camará: Uma jovem marroquina de origem humilde e temperamento duro, marcada por uma história de intenso sofrimento. Após ter toda a sua fortuna usurpada pela família Rivoredo e por seu principal antagonista, Tião Bento (interpretado por Francisco Cuoco), Luana decide deixar o Marrocos e retornar ao Brasil para recuperar o que é seu por direito.

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O Entrelaçamento de Destinos e o Sobrenatural

​O ponto de virada da narrativa ocorre quando Luana adquire o antigo apartamento de Priscila Capricce. Para sua surpresa, o imóvel permanece intacto: móveis, livros, roupas e pertences pessoais continuam dispostos exatamente como a falecida os deixou.

 


​Esse mistério sela a conexão mística entre as duas mulheres. O que Luana não previa era que a forte paixão que Priscila nutria por Tião Bento atravessaria a barreira da morte, levando o espírito da atriz a tomar o corpo de Luana de forma mediúnica em momentos cruciais da história.

60 ANOS DE CARREIRA DE REGINA DUARTE TRAZ DE VOLTA A OBRA CLÁSSICA DE JANETE CLAR SÉTIMO SENTIDO DEPOIS DE 44 ANOS

 



O Retorno do "Sétimo Sentido": 44 Anos de Mistério, Emoção e o Brilho Eterno de Regina Duarte

​Preparem os corações e acendam as estrelas! Depois de 44 anos guardada no imaginário dos noveleiros e sem nunca ter sido reprisada, uma das obras mais fascinantes da teledramaturgia brasileira clama por luz. Sétimo Sentido, exibida originalmente pela Rede Globo entre 29 de março e 8 de outubro de 1982, é muito mais do que uma novela: é a última obra-prima concebida integralmente pela inigualável Janete Clair, a “Mestra dos Sonhos”.

 


​E a data não poderia ser mais simbólica. Esta celebração comunga com o marco histórico dos 60 anos de carreira de Regina Duarte, a maior estrela das telenovelas brasileiras, cuja entrega visceral deu alma a um dos maiores desafios de sua trajetória artística.

 









​Uma Trama Além da Imaginação

​Dirigida por Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes ao longo de 167 capítulos, Sétimo Sentido mergulhou o Brasil em um universo de mistérios, reencarnações e paixões avassaladoras.

 

​A história acompanhava Luana Camará (Regina Duarte), uma mulher que retorna ao Brasil para recuperar a fortuna da sua família, usurpada por um golpe de Antônio Rivoredo. O grande nó da trama? Ela se apaixona profundamente por Rudy (Fábio Jr.), filho de seu pior inimigo. Mas o seu maior obstáculo — e uma das figuras mais marcantes da história — era Tião Bento, o ambicioso e implacável administrador dos negócios dos Rivoredo.

 


​A grande reviravolta da novela, que arrebatou o público a partir de sua segunda metade, deu-se pelo título da obra: Luana possuía o "sétimo sentido", manifestando capacidades paranormais profundas ao encarnar o espírito da falecida atriz italiana Priscilla Capricce. O ápice da ironia dramática e do fascínio do público era ver que, enquanto Luana odiava Tião Bento, a espirituosa Priscilla acabava se casando com ele em uma deslumbrante cerimônia num ritual cigano.

 


​A novela também brilhava em seus núcleos paralelos, como o romance entre Danilo e Sandra (irmã de Rudy); o casamento tempestuoso de Rudy com Helenice; e as trapalhadas e romances de Santinha Rivoredo, mãe dos rapazes, que encontrava novo amor no malandro Valério.

 



O Desafio Duplo e o Laboratório de Janete Clair

​Para Regina Duarte, o papel duplo foi uma verdadeira "aventura linda e estimulante". Além da complexa Luana, dar vida a Priscilla Capricce exigia uma composição cênica exuberante. A própria atriz revelou em entrevistas que a espevitada Priscilla serviu como a precursora da inesquecível Viúva Porcina, que consagraria Regina em Roque Santeiro (1985).

 













​O tema da dualidade — tão caro a Janete Clair, que desde os tempos de Irmãos Coragem e Selva de Pedra flertava com sósias, gêmeos e trocas de personalidade influenciada por Dostoievski — atingiu um ápice metafísico aqui. No capítulo 148, uma inesquecível cena de regressão espiritual revelou a ligação kármica entre as duas: em vidas passadas, em 1910, elas haviam sido as gêmeas Luciana e Maria Pia, criando uma dívida de gratidão a ser resgatada no presente.

 











​Para erguer essa trama espírita, paranormal e parapsicológica, Janete Clair estudou o tema durante um ano inteiro com a assessoria da parapsicóloga Thelma Tablada, gerando debates intensos na época com estudiosos do espiritismo sobre os limites da possessão e da mente humana.

 


​Bastidores Secretos: A Censura e o Mistério do Autor Oculto

​O caminho de Sétimo Sentido não foi fácil. Desde o primeiro capítulo, a novela sofreu censura pesada. Janete Clair protestou abertamente na imprensa contra os cortes arbitrários de Brasília, que deixavam a trama "sem pé nem cabeça". O público, injustamente, criticava a falta de sensualidade inicial entre Rudi e Luana, sem saber que todas as cenas de beijos entre os protagonistas eram impiedosamente tesouradas.

 





​Além disso, nos 40 capítulos finais, Janete descobriu uma doença e precisou passar por uma cirurgia. Para preservar a autora e evitar alarde, a Globo escalou Silvio de Abreu para escrever os capítulos finais na bacia das almas, trabalhando em sigilo absoluto: Silvio escrevia, Janete orientava e revisava.

 

​Curiosidades que Marcaram Época

​Memória Teatral: Duas sequências ficaram eternizadas: Priscila Capricce no palco interpretando Branca Dias, de O Santo Inquérito de Dias Gomes — personagem que a própria Regina Duarte havia defendido no teatro — e o casamento cigano de Priscila e Tião Bento.

​Capa de Revista: Tamara Taxman fez tanto sucesso com a inesquecível personagem Gisa que estampa a cobiçada capa da revista Playboy em setembro de 1982.

​Abertura Inesquecível: O rosto de Regina Duarte flutuando suavemente numa paisagem celeste, entre estrelas, ao som melancólico e poético de "Vitrines", de Chico Buarque, é uma das aberturas mais belas da história da TV.

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Trilha Sonora de Luxo:

​Nacional: Gilberto Gil ("Esotérico"), Rita Lee ("Atlântida"), Djavan ("Faltando um pedaço"), Maria Bethânia, Ney Matogrosso e Marina Lima.


​Internacional: Elton John ("Empty Garden"), Duran Duran, Udo Jurgens, Adrian Gurvitz e Vangelis ("Chariots of Fire").

​O Legado de uma Despedida

​Sétimo Sentido fechou as cortinas deixando uma mensagem eterna cunhada pela pena ímpar de Janete Clair, proferida pouco antes de nos deixar:

 


​"Eu gostaria que o ser humano acreditasse que existe uma força capaz de mudar a sua vida. É bom confiar em si mesmo e esperar um novo amanhecer."






​Completando 44 anos de seu lançamento sem nunca ter sido reprisada, a obra clama por um resgate na íntegra no streaming. É a grande oportunidade de as novas gerações descobrirem o vigor criativo de Janete Clair e aplaudirem de pé os 60 anos de glória de Regina Duarte, a soberana absoluta dos nossos corações televisivos.

 

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