segunda-feira, 2 de novembro de 2026

60 ANOS DE CARREIRA DE REGINA DUARTE TRAZ DE VOLTA A OBRA CLÁSSICA DE JANETE CLAR SÉTIMO SENTIDO DEPOIS DE 44 ANOS

 



O Retorno do "Sétimo Sentido": 44 Anos de Mistério, Emoção e o Brilho Eterno de Regina Duarte

​Preparem os corações e acendam as estrelas! Depois de 44 anos guardada no imaginário dos noveleiros e sem nunca ter sido reprisada, uma das obras mais fascinantes da teledramaturgia brasileira clama por luz. Sétimo Sentido, exibida originalmente pela Rede Globo entre 29 de março e 8 de outubro de 1982, é muito mais do que uma novela: é a última obra-prima concebida integralmente pela inigualável Janete Clair, a “Mestra dos Sonhos”.

 


​E a data não poderia ser mais simbólica. Esta celebração comunga com o marco histórico dos 60 anos de carreira de Regina Duarte, a maior estrela das telenovelas brasileiras, cuja entrega visceral deu alma a um dos maiores desafios de sua trajetória artística.

 









​Uma Trama Além da Imaginação

​Dirigida por Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes ao longo de 167 capítulos, Sétimo Sentido mergulhou o Brasil em um universo de mistérios, reencarnações e paixões avassaladoras.

 

​A história acompanhava Luana Camará (Regina Duarte), uma mulher que retorna ao Brasil para recuperar a fortuna da sua família, usurpada por um golpe de Antônio Rivoredo. O grande nó da trama? Ela se apaixona profundamente por Rudy (Fábio Jr.), filho de seu pior inimigo. Mas o seu maior obstáculo — e uma das figuras mais marcantes da história — era Tião Bento, o ambicioso e implacável administrador dos negócios dos Rivoredo.

 


​A grande reviravolta da novela, que arrebatou o público a partir de sua segunda metade, deu-se pelo título da obra: Luana possuía o "sétimo sentido", manifestando capacidades paranormais profundas ao encarnar o espírito da falecida atriz italiana Priscilla Capricce. O ápice da ironia dramática e do fascínio do público era ver que, enquanto Luana odiava Tião Bento, a espirituosa Priscilla acabava se casando com ele em uma deslumbrante cerimônia num ritual cigano.

 


​A novela também brilhava em seus núcleos paralelos, como o romance entre Danilo e Sandra (irmã de Rudy); o casamento tempestuoso de Rudy com Helenice; e as trapalhadas e romances de Santinha Rivoredo, mãe dos rapazes, que encontrava novo amor no malandro Valério.

 



O Desafio Duplo e o Laboratório de Janete Clair

​Para Regina Duarte, o papel duplo foi uma verdadeira "aventura linda e estimulante". Além da complexa Luana, dar vida a Priscilla Capricce exigia uma composição cênica exuberante. A própria atriz revelou em entrevistas que a espevitada Priscilla serviu como a precursora da inesquecível Viúva Porcina, que consagraria Regina em Roque Santeiro (1985).

 













​O tema da dualidade — tão caro a Janete Clair, que desde os tempos de Irmãos Coragem e Selva de Pedra flertava com sósias, gêmeos e trocas de personalidade influenciada por Dostoievski — atingiu um ápice metafísico aqui. No capítulo 148, uma inesquecível cena de regressão espiritual revelou a ligação kármica entre as duas: em vidas passadas, em 1910, elas haviam sido as gêmeas Luciana e Maria Pia, criando uma dívida de gratidão a ser resgatada no presente.

 











​Para erguer essa trama espírita, paranormal e parapsicológica, Janete Clair estudou o tema durante um ano inteiro com a assessoria da parapsicóloga Thelma Tablada, gerando debates intensos na época com estudiosos do espiritismo sobre os limites da possessão e da mente humana.

 


​Bastidores Secretos: A Censura e o Mistério do Autor Oculto

​O caminho de Sétimo Sentido não foi fácil. Desde o primeiro capítulo, a novela sofreu censura pesada. Janete Clair protestou abertamente na imprensa contra os cortes arbitrários de Brasília, que deixavam a trama "sem pé nem cabeça". O público, injustamente, criticava a falta de sensualidade inicial entre Rudi e Luana, sem saber que todas as cenas de beijos entre os protagonistas eram impiedosamente tesouradas.

 





​Além disso, nos 40 capítulos finais, Janete descobriu uma doença e precisou passar por uma cirurgia. Para preservar a autora e evitar alarde, a Globo escalou Silvio de Abreu para escrever os capítulos finais na bacia das almas, trabalhando em sigilo absoluto: Silvio escrevia, Janete orientava e revisava.

 

​Curiosidades que Marcaram Época

​Memória Teatral: Duas sequências ficaram eternizadas: Priscila Capricce no palco interpretando Branca Dias, de O Santo Inquérito de Dias Gomes — personagem que a própria Regina Duarte havia defendido no teatro — e o casamento cigano de Priscila e Tião Bento.

​Capa de Revista: Tamara Taxman fez tanto sucesso com a inesquecível personagem Gisa que estampa a cobiçada capa da revista Playboy em setembro de 1982.

​Abertura Inesquecível: O rosto de Regina Duarte flutuando suavemente numa paisagem celeste, entre estrelas, ao som melancólico e poético de "Vitrines", de Chico Buarque, é uma das aberturas mais belas da história da TV.

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Trilha Sonora de Luxo:

​Nacional: Gilberto Gil ("Esotérico"), Rita Lee ("Atlântida"), Djavan ("Faltando um pedaço"), Maria Bethânia, Ney Matogrosso e Marina Lima.


​Internacional: Elton John ("Empty Garden"), Duran Duran, Udo Jurgens, Adrian Gurvitz e Vangelis ("Chariots of Fire").

​O Legado de uma Despedida

​Sétimo Sentido fechou as cortinas deixando uma mensagem eterna cunhada pela pena ímpar de Janete Clair, proferida pouco antes de nos deixar:

 


​"Eu gostaria que o ser humano acreditasse que existe uma força capaz de mudar a sua vida. É bom confiar em si mesmo e esperar um novo amanhecer."






​Completando 44 anos de seu lançamento sem nunca ter sido reprisada, a obra clama por um resgate na íntegra no streaming. É a grande oportunidade de as novas gerações descobrirem o vigor criativo de Janete Clair e aplaudirem de pé os 60 anos de glória de Regina Duarte, a soberana absoluta dos nossos corações televisivos.

 

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