domingo, 1 de novembro de 2026

60 ANOS DE CARREIRA DE REGINA DUARTE EM DOSE DUPLA UMA OBRA PRIMA DE SÉTIMO SENTIDO

 



Sétimo Sentido foi uma telenovela brasileira produzida pela TV Globo e exibida de 29 de março a 8 de outubro de 1982, no horário das 20 horas. Escrita por Janete Clair, contou com 167 capítulos e teve a direção de Roberto Talma (também diretor geral), Jorge Fernando e Guel Arraes.

 









​A trama marcou a obra de Janete Clair por revisitar um tema recorrente em sua carreira: o duplo, influenciado por clássicos como Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski.

 

​Ficha Técnica e Premissa

​Exibição: 29 de março a 8 de outubro de 1982

​Capítulos: 167

​Horário: 20h

​Autoria: Janete Clair (com finalização de Silvio de Abreu)

​Direção: Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes

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Sinopse

​A marroquina Luana Camará (Regina Duarte) retorna ao Brasil com o objetivo de recuperar a fortuna de sua família. No passado, durante o período Vargas, seus pais foram obrigados a se exilar por motivos políticos, e Antônio Rivoredo aproveitou para passar os bens dos Camará para o seu próprio nome, nunca devolvendo o patrimônio.

 


​O grande obstáculo de Luana é Tião Bento (Francisco Cuoco), o ambicioso braço direito e administrador das empresas dos Rivoredo, que além de buscar o poder corporativo, tem a curiosa mania de guardar um pé de sapato de cada mulher que seduz. O problema se complica ainda mais porque Luana se apaixona por Rudi (Carlos Alberto Riccelli), filho de Antônio e ex-marido de Helenice (Beth Goulart). Devido aos conflitos e obstáculos, Luana chega a retornar temporariamente a Casablanca, sua cidade natal.

 





A reviravolta da novela ocorre quando Luana, que já manifestava sinais de paranormalidade e visões do futuro, sofre uma transformação radical: ela passa a ser mediunicamente possuída pelo espírito da falecida atriz italiana Priscila Capricce. Ao contrário da contida Luana, Priscila é sofisticada, sensual, descontraída e retorna com o objetivo de encontrar sua filha desaparecida (Cila) e cobrar uma promessa de vidas passadas. Curiosamente, enquanto Luana nutre ódio por Tião Bento, é o espírito de Priscila que se envolve com ele, culminando em um deslumbrante casamento cigano.

 




​Paralelamente, a novela acompanha a trajetória de Sandra (Natália do Valle), filha mais velha de Antônio Rivoredo. Criada para liderar os negócios da família como presidente das Indústrias Catarina, ela assume uma postura rígida e responsável, travando uma intensa disputa contra a influência de Tião Bento na diretoria.







As Duas Faces de um Mesmo Mistério: Luana Camará e Priscila Capricce

​O grande fascínio de Sétimo Sentido girava em torno do eletrizante contraste entre as duas personagens vividas por Regina Duarte: Luana Camará e o espírito da atriz italiana Priscila Capricce. Mais do que uma simples possessão, a convivência dessas duas personalidades em um mesmo corpo desenhou um mosaico de belezas, temperamentos e energias completamente opostas.

 






​A Essência de Luana Camará: Luana personificava a delicadeza, o sofrimento e a contensão. Marroquina de origem, ela carregava nos ombros o peso da injustiça cometida contra sua família e a dor de um amor interrompido por barreiras e preconceitos. Fisicamente e espiritualmente, Luana era a vulnerabilidade em pessoa. Sua beleza era melancólica, suave e introspectiva — marcada por um olhar marejado, traços simples e uma aura de candura que refletia seus dons paranormais e sua profunda conexão com as dores do mundo. Ela era a pureza e a resignação diante dos reveses da vida.

​A Explosão de Priscila Capricce: Em contrapartida, quando o espírito vibrante de Priscila tomava o corpo de Luana, o véu da melancolia se desfazia para dar lugar a um furacão de sensualidade, sofisticação e irreverência. Priscila era pura extroversão e audácia. Enquanto Luana sofria silenciosamente, a atriz italiana arrebatava o público e os personagens com passos de dança, roupas marcantes, um charme irresistível e uma autoconfiança inabalável. Sua beleza era exuberante, teatral e magnética — daquelas que preenchem o palco e deixam qualquer ambiente em êxtase. É justamente essa energia solar e debochada que fez Regina Duarte definir Priscila como a precursora da inesquecível Viúva Porcina.

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O Confronto dos Opostos

 


O grande trunfo da novela — e o deleite para o público — era assistir a essa gangorra psicológica. O que tornava a dinâmica irresistível era ver a mesma atriz transitar, com perfeição milimétrica, entre a mulher acuada, mística e sofredora (Luana) e a diva espirituosa e dominadora (Priscila). Enquanto Luana nutria um ódio profundo e jurado por Tião Bento, era Priscila quem, rendida por aquele mesmo magnetismo, se entregava a ele em um deslumbrante casamento cigano. Duas mulheres, duas almas e duas estéticas completamente diferentes que dividiam a mesma pele, eternizando um dos duplos mais brilhantes da história da teledramaturgia brasileira.

 








ABERTURA DA NOVELA








Elenco Principal

​Regina Duarte – Luana Camará / Priscila Capricce

​Francisco Cuoco – Tião Bento (Sebastião Bento)

​Carlos Alberto Riccelli – Rudy (Rodolfo Bergman Rivoredo)

​Natália do Valle – Sandra Bergman Rivoredo

​Eva Todor – Santinha (Maria Santa) Bergman Rivoredo

​Cláudio Cavalcanti – Danilo Mendes

​Tamara Taxman – Gisa (Gisela Rezende)

​Nicette Bruno – Sara Mendes

​Fernando Torres – Harold Bergman

​Beth Goulart – Helenice

​Armando Bogus – Valério

​Carlos Kroeber – Antônio Rivoredo

​Izabella Bicalho – Cila (filha de Priscila)

​(O elenco completo conta com dezenas de outros nomes, incluindo Paulo Guarnieri, Lisa Vieira, Sebastião Vasconcelos, entre outros).

 



​Bastidores e Curiosidades

​A Precursora de Porcina: Regina Duarte revelou em entrevistas que adorava interpretar o papel duplo. Segundo a atriz, a irreverente Priscila Capricce serviu como uma clara precursora da inesquecível Viúva Porcina, de Roque Santeiro (1985).

​Substituição na Reta Final: Faltando cerca de 40 capítulos para o fim da novela, Janete Clair precisou passar por uma cirurgia após descobrir uma doença. Para evitar alarde, a Globo escalou Silvio de Abreu para escrever os capítulos finais em segredo, enquanto Janete orientava e revisava o material.

​A Tesoura da Censura: A novela sofreu cortes rigorosos da censura desde o primeiro capítulo, gerando queixas públicas de Janete Clair de que a trama ficava "sem pé nem cabeça". O público chegou a criticar a falta de química inicial entre Luana e Rudi, sem saber que as cenas de beijo entre os dois eram proibidas por ele ser um homem casado na ficção.

​Polêmica com o Espiritismo: Estudiosos do espiritismo criticaram a premissa da possessão espiritual. Para fundamentar a história, Janete Clair estudou temas de parapsicologia e espiritismo durante um ano, contando com a assessoria da parapsicóloga Thelma Tablada. No capítulo 148, uma cena de regressão explicou que Luana e Priscila foram as gêmeas Luciana e Maria Pia em uma vida passada (1910).

​Capa da Playboy: Tamara Taxman fez tanto sucesso com a personagem Gisa que foi convidada para ilustrar a capa da revista Playboy em setembro de 1982.

​Recusa de Elenco: A personagem Gisa foi inicialmente oferecida a Débora Duarte, que recusou o papel por não ser a protagonista, abrindo espaço para o brilho de Tamara Taxman.

​Cenas Memoráveis: Marcaram época a sequência em que Priscila encena no palco a peça O Santo Inquérito (de Dias Gomes) — papel que a própria Regina Duarte já havia feito no teatro —, além do luxuoso casamento cigano entre Priscila e Tião Bento.

​Abertura Icônica: A inconfundível abertura exibia o rosto de Regina Duarte movendo-se suavemente entre estrelas numa paisagem celeste, ao som da música "As Vitrines", de Chico Buarque.

​Última Mensagem: A novela encerrou-se com uma famosa mensagem escrita por Janete Clair:​"Eu gostaria que o ser humano acreditasse que existe uma força capaz de mudar a sua vida. É bom confiar em si mesmo e esperar um novo amanhecer."

​"Eu gostaria que o ser humano acreditasse que existe uma força capaz de mudar a sua vida. É bom confiar em si mesmo e esperar um novo amanhecer."

 

 


​Trilha Sonora

​Nacional

​Gilberto Gil – "Esotérico"

​Ney Matogrosso – "Jeito de Amar"

​Maurício – "A Cada Momento"

​Luiz Gonzaga Jr. – "Ser, Fazer, Acontecer"

​Marina Lima – "Charme do Mundo"

​Chico Buarque – "As Vitrines" (Tema de abertura)

​Rita Lee – "Atlântida"

​Vinícius Cantuária – "Coisa Linda"

​Djavan – "Faltando um Pedaço" (Tema de Luana e Rudi)

​Maria Bethânia – "Atiraste uma Pedra"

​João Gilberto, Caetano Veloso e Gilberto Gil – "Disse Alguém"

​MPB-4 – "Magia"

​Cauby Peixoto – "Então Tá"




​Internacional

​Elton John – "Empty Garden"

​Duran Duran – "Anyone Out There"

​Don McLean – "Castles in the Air"

​Ray Parker Jr. – "The Other Woman"

​Udo Jürgens – "Walk Away"

​Mary Wells – "Gigolo"

​Bianco – "Silenzio"

​Vangelis – "Chariots of Fire"

​Adrian Gurvitz – "Classic"

​War – "You Got the Power"

​Rod Stewart – "How Long?"

​Patrick Cowley – "Megatron Man"

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