Sétimo Sentido foi uma telenovela brasileira produzida pela
TV Globo e exibida de 29 de março a 8 de outubro de 1982, no horário das 20
horas. Escrita por Janete Clair, contou com 167 capítulos e teve a direção de
Roberto Talma (também diretor geral), Jorge Fernando e Guel Arraes.
A trama marcou a obra de Janete Clair por revisitar um tema
recorrente em sua carreira: o duplo, influenciado por clássicos como Os Irmãos
Karamazov, de Dostoievski.
Ficha Técnica e Premissa
Exibição: 29 de março a 8 de outubro de 1982
Capítulos: 167
Horário: 20h
Autoria: Janete Clair (com finalização de Silvio de Abreu)
Direção: Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes
Sinopse
A marroquina Luana Camará (Regina Duarte) retorna ao Brasil
com o objetivo de recuperar a fortuna de sua família. No passado, durante o período
Vargas, seus pais foram obrigados a se exilar por motivos políticos, e Antônio
Rivoredo aproveitou para passar os bens dos Camará para o seu próprio nome,
nunca devolvendo o patrimônio.
O grande obstáculo de Luana é Tião Bento (Francisco Cuoco),
o ambicioso braço direito e administrador das empresas dos Rivoredo, que além
de buscar o poder corporativo, tem a curiosa mania de guardar um pé de sapato
de cada mulher que seduz. O problema se complica ainda mais porque Luana se
apaixona por Rudi (Carlos Alberto Riccelli), filho de Antônio e ex-marido de
Helenice (Beth Goulart). Devido aos conflitos e obstáculos, Luana chega a
retornar temporariamente a Casablanca, sua cidade natal.


A reviravolta da novela ocorre quando Luana, que já
manifestava sinais de paranormalidade e visões do futuro, sofre uma
transformação radical: ela passa a ser mediunicamente possuída pelo espírito da
falecida atriz italiana Priscila Capricce. Ao contrário da contida Luana,
Priscila é sofisticada, sensual, descontraída e retorna com o objetivo de
encontrar sua filha desaparecida (Cila) e cobrar uma promessa de vidas
passadas. Curiosamente, enquanto Luana nutre ódio por Tião Bento, é o espírito
de Priscila que se envolve com ele, culminando em um deslumbrante casamento
cigano.
Paralelamente, a novela acompanha a trajetória de Sandra
(Natália do Valle), filha mais velha de Antônio Rivoredo. Criada para liderar
os negócios da família como presidente das Indústrias Catarina, ela assume uma
postura rígida e responsável, travando uma intensa disputa contra a influência
de Tião Bento na diretoria.
As Duas Faces de um Mesmo Mistério: Luana Camará e Priscila
Capricce
O grande fascínio de Sétimo Sentido girava em torno do
eletrizante contraste entre as duas personagens vividas por Regina Duarte:
Luana Camará e o espírito da atriz italiana Priscila Capricce. Mais do que uma
simples possessão, a convivência dessas duas personalidades em um mesmo corpo
desenhou um mosaico de belezas, temperamentos e energias completamente opostas.
A Essência de Luana Camará: Luana personificava a
delicadeza, o sofrimento e a contensão. Marroquina de origem, ela carregava nos
ombros o peso da injustiça cometida contra sua família e a dor de um amor
interrompido por barreiras e preconceitos. Fisicamente e espiritualmente, Luana
era a vulnerabilidade em pessoa. Sua beleza era melancólica, suave e
introspectiva — marcada por um olhar marejado, traços simples e uma aura de
candura que refletia seus dons paranormais e sua profunda conexão com as dores
do mundo. Ela era a pureza e a resignação diante dos reveses da vida.
A Explosão de Priscila Capricce: Em contrapartida, quando o
espírito vibrante de Priscila tomava o corpo de Luana, o véu da melancolia se
desfazia para dar lugar a um furacão de sensualidade, sofisticação e
irreverência. Priscila era pura extroversão e audácia. Enquanto Luana sofria
silenciosamente, a atriz italiana arrebatava o público e os personagens com
passos de dança, roupas marcantes, um charme irresistível e uma autoconfiança
inabalável. Sua beleza era exuberante, teatral e magnética — daquelas que
preenchem o palco e deixam qualquer ambiente em êxtase. É justamente essa
energia solar e debochada que fez Regina Duarte definir Priscila como a
precursora da inesquecível Viúva Porcina.
O Confronto dos Opostos
O grande trunfo da novela — e o deleite para o público — era
assistir a essa gangorra psicológica. O que tornava a dinâmica irresistível era
ver a mesma atriz transitar, com perfeição milimétrica, entre a mulher acuada,
mística e sofredora (Luana) e a diva espirituosa e dominadora (Priscila).
Enquanto Luana nutria um ódio profundo e jurado por Tião Bento, era Priscila
quem, rendida por aquele mesmo magnetismo, se entregava a ele em um
deslumbrante casamento cigano. Duas mulheres, duas almas e duas estéticas
completamente diferentes que dividiam a mesma pele, eternizando um dos duplos
mais brilhantes da história da teledramaturgia brasileira.
ABERTURA DA NOVELA

Elenco Principal
Regina Duarte – Luana Camará / Priscila Capricce
Francisco Cuoco – Tião Bento (Sebastião Bento)
Carlos Alberto Riccelli – Rudy (Rodolfo Bergman Rivoredo)
Natália do Valle – Sandra Bergman Rivoredo
Eva Todor – Santinha (Maria Santa) Bergman Rivoredo
Cláudio Cavalcanti – Danilo Mendes
Tamara Taxman – Gisa (Gisela Rezende)
Nicette Bruno – Sara Mendes
Fernando Torres – Harold Bergman
Beth Goulart – Helenice
Armando Bogus – Valério
Carlos Kroeber – Antônio Rivoredo
Izabella Bicalho – Cila (filha de Priscila)
(O elenco completo conta com dezenas de outros nomes,
incluindo Paulo Guarnieri, Lisa Vieira, Sebastião Vasconcelos, entre outros).
Bastidores e Curiosidades
A Precursora de Porcina: Regina Duarte revelou em
entrevistas que adorava interpretar o papel duplo. Segundo a atriz, a
irreverente Priscila Capricce serviu como uma clara precursora da inesquecível
Viúva Porcina, de Roque Santeiro (1985).
Substituição na Reta Final: Faltando cerca de 40 capítulos
para o fim da novela, Janete Clair precisou passar por uma cirurgia após
descobrir uma doença. Para evitar alarde, a Globo escalou Silvio de Abreu para
escrever os capítulos finais em segredo, enquanto Janete orientava e revisava o
material.
A Tesoura da Censura: A novela sofreu cortes rigorosos da
censura desde o primeiro capítulo, gerando queixas públicas de Janete Clair de
que a trama ficava "sem pé nem cabeça". O público chegou a criticar a
falta de química inicial entre Luana e Rudi, sem saber que as cenas de beijo
entre os dois eram proibidas por ele ser um homem casado na ficção.
Polêmica com o Espiritismo: Estudiosos do espiritismo
criticaram a premissa da possessão espiritual. Para fundamentar a história,
Janete Clair estudou temas de parapsicologia e espiritismo durante um ano,
contando com a assessoria da parapsicóloga Thelma Tablada. No capítulo 148, uma
cena de regressão explicou que Luana e Priscila foram as gêmeas Luciana e Maria
Pia em uma vida passada (1910).
Capa da Playboy: Tamara Taxman fez tanto sucesso com a
personagem Gisa que foi convidada para ilustrar a capa da revista Playboy em
setembro de 1982.
Recusa de Elenco: A personagem Gisa foi inicialmente
oferecida a Débora Duarte, que recusou o papel por não ser a protagonista,
abrindo espaço para o brilho de Tamara Taxman.
Cenas Memoráveis: Marcaram época a sequência em que
Priscila encena no palco a peça O Santo Inquérito (de Dias Gomes) — papel que a
própria Regina Duarte já havia feito no teatro —, além do luxuoso casamento
cigano entre Priscila e Tião Bento.
Abertura Icônica: A inconfundível abertura exibia o rosto
de Regina Duarte movendo-se suavemente entre estrelas numa paisagem celeste, ao
som da música "As Vitrines", de Chico Buarque.
Última Mensagem: A novela encerrou-se com uma famosa
mensagem escrita por Janete Clair:"Eu gostaria que o ser humano
acreditasse que existe uma força capaz de mudar a sua vida. É bom confiar em si
mesmo e esperar um novo amanhecer."
"Eu gostaria que o ser humano acreditasse que existe
uma força capaz de mudar a sua vida. É bom confiar em si mesmo e esperar um
novo amanhecer."
Trilha Sonora
Nacional
Gilberto Gil – "Esotérico"
Ney Matogrosso – "Jeito de Amar"
Maurício – "A Cada Momento"
Luiz Gonzaga Jr. – "Ser, Fazer, Acontecer"
Marina Lima – "Charme do Mundo"
Chico Buarque – "As Vitrines" (Tema de abertura)
Rita Lee – "Atlântida"
Vinícius Cantuária – "Coisa Linda"
Djavan – "Faltando um Pedaço" (Tema de Luana e
Rudi)
Maria Bethânia – "Atiraste uma Pedra"
João Gilberto, Caetano Veloso e Gilberto Gil – "Disse
Alguém"
MPB-4 – "Magia"
Cauby Peixoto – "Então Tá"
Internacional
Elton John – "Empty Garden"
Duran Duran – "Anyone Out There"
Don McLean – "Castles in the Air"
Ray Parker Jr. – "The Other Woman"
Udo Jürgens – "Walk Away"
Mary Wells – "Gigolo"
Bianco – "Silenzio"
Vangelis – "Chariots of Fire"
Adrian Gurvitz – "Classic"
War – "You Got the Power"
Rod Stewart – "How Long?"
Patrick Cowley – "Megatron Man"