terça-feira, 27 de maio de 2008

FILME:ALÉM DA PAIXÃO (1984)


Femanda e Roberto, um casal de classe média paulistana tem dois filhos, Bia e Pedro, e levam uma vida feliz. Certo dia, quando está a caminho do apartamento de uma cliente, ela atropela Miguel, um travesti, que acaba roubando-a. Descobrindo onde ele trabalha, ela pretende reaver o que sumiu. Lá, ela conhece Bombom, um travesti de trinta e poucos anos com quem Miguel vive e que está feliz por ter recebido um convite para atuar em Paris. E Natal. Em meio à festa junto à família, Femanda se sente distante.

Voltando ao apartamento de uma cliente, ela é surpreendida com a presença de Miguel. Ele devolve-lhe o dinheiro roubado. Juntamente com um buquê de flores. Fernanda se sente irritada e fascinada. Começa o envolvimento. Roberto tem uma viagem inadiável. Fernanda se despede dele no aeroporto como se quisesse retê-lo. Não resistindo, Femanda volta a procurar Miguel, e segue com ele, levando Bombom a Santos, para seu embarque a Paris. A viagem de volta segue cheia de acidentes e violência. Femanda, enamorada, não se dá conta de seu envolvimento em situações graves.

O filme Além da Paixão, dirigido por Bruno Barreto, com Regina Duarte no papel principal.

O filme é uma drama produzido na década de 1980 com a atriz vivendo um papel totalmente diferente das mulheres que interpreta nas novelas globais.

Além da Paixão conta a história de Fernanda Sampaio (Regina Duarte), uma pacata arquiteta, casada com Roberto (Flávio Galvão) e com dois filhos pequenos. Eles formam um casal típico da classe média paulistana, aparentemente feliz. Um dia, a caminho do trabalho, ela atropela Miguel (Paulo Castelli), um jovem que é garoto de programa e vive entre travestis.

Ele a rouba e ela tenta reaver o que sumiu. Acaba se envolvendo com ele e com o submundo em que Miguel vive, onde o travesti Bombom (Patrício Bisso) é personagem importante. Fernanda passa então por experiências que balançam a sua estabilizada vida. O filme é uma produção de Luiz Carlos Barreto, com roteiro de Antonio Calmon e fez carreira em cinemas americanos com o título Beyond Passion. Além de Regina Duarte, estão no elenco: Paulo Castelli, Patrício Bisso, Flávio Galvão, Felipe Martins, Maria Helena Dias, Walter Forster, Flávio São Thiago, Ivan Setta, Emile Edde e Kiki Cunha Bueno.

"Além Da Paixão", o conto moral de Bruno Barreto.

Se "O Cinema Falado" provocou, ao ser exibido hors concours no FestRio-86, polêmicas e discussões, "Além da Paixão", de Bruno Barreto quando mostrado no encerramento do II FestRio, provocou apenas vaias e decepção. Realmente, para quem vinha apostando no talento de Bruno Barreto ("Tati, a Garota", 1973; "A Estrela Sobe", 1974; "Dona Flor e Seus Dois Maridos", 1975), o seu novo filme foi mais frustrante do que "Amor Bandido" (1978) ou mesmo "Gabriela" (1982), fracasso de público e crítica.

A decepção foi tão grande que o astuto produtor Luís Carlos Barreto, pai de Bruno, decidiu retardar o lançamento do filme. Houve uma remontagem, mudança do final e, passada a fase negativa provocada pela primeira visão, o mesmo voltou a ser exibido. Claro que não fez o sucesso esperado, embora, repensado mais demoradamente, pode até merecer atenção. Como sempre, Bruno é caprichoso em seus filmes.

Esmerada fotografia de Afonso Beato, figurinos de Viviane Sampaio, ótima música de César Camargo Mariano e um bom elenco - com Regina Duarte, Ivan Setta, Felipe Martins, Maria Helena Dias e, em participações especiais, Flávio Galvão, Flávio São Thiago e Patrícia Bisso.O próprio Bruno admite que desenvolveu a história - roteirizada por Antônio Calmon - a partir de um sonho (ou pesadelo?). E é como um sonho que começa a via crucis de Fernanda (Regina Duarte), que num acidente de trânsito atropela um travesti, Miguel (Paulo Castelli), com ele envolvendo-se numa louca paixão - abandonando o marido, um próspero advogado (Flávio Galvão) e dois filhos (Bia e Pedro).

Propositalmente, Bruno fez um filme provocador: até aonde a porraloquice de uma mulher rica, bonita e feliz pelos aspectos tradicionais, se dispõe a jogar tudo para o alto e viver uma aventura com marginais?A história parece absurda, mas, pouco a pouco, Bruno tem procurado explicar o filme, dizendo, por exemplo, que "Além Da Paixão" procura falar de uma maturidade afetiva, "espetacular sobre uma possível maturidade afetiva, se é que isso existe". Bruno, 34 anos, não aceita uma leitura moralista de seu filme. - "A mulher, Fernanda, depois de viver tudo o que vive, não é punida, ao contrário: tudo faz parte de um momento de crise de crescimento dentro do casamento dela.

Um casamento, uma relação só consegue ir adiante e ser uma coisa construtiva, mais duradoura e conseqüente se os percalços, os acidentes, os problemas que acontecem dentro dele são vistos como parte desse relacionamento e não como coisas que vão acabar definitivamente com ele". Sem ter uma pretensão intelectual irritante como Caetano em seu filme - ao contrário, realizando uma narrativa atraente e bem cuidada, Bruno faz de seu filme também polêmico a sua maneira. E que, independente de preconceitos, merece ser visto. Afinal, ele tem uma explicação bem "cinematográfica" ao seu filme:- " 'Além Da Paixão' é um conto moral, assim como os filmes de Eric Rohmer ou de François Truffaut, a quem ele é dedicado. É como um soneto, fechado, redondo, que se completa e que tem uma moral no final".

O filme trata do sentimento humano em relação ao amor. A história é baseada no romance entre a personagem central, uma mulher casada e um garoto de programa que é vítima de um atropelmento causado por ela.

Os dois acabam tendo um romance proibido, pois ela era casada e tinha dois filhos. Em uma viagem do marido os dois viajam para Santos com a desculpa de levar uma amiga dele até o porto. Esta iria morar em Paris e pegaria um navio. A viagem se estende até Porto Seguro onde ambos passam o final do ano. Ela descobre que ele está envolvido com drogas (cocaína) e decide largar dele e voltar para sua família. O filme termina quando ela chega em casa e abraça os filhos.

Talvez o único trabalho em que Regina Duarte se permitiu filmar nua, numa ardente cena de sexo com Paulo Castelli.

Venceu nas categorias de Melhor Diretor (Bruno Barreto), Melhor Ator (Paulo Castelli) e Melhor Roteiro (Antônio Calmon).

Curiosidades

- Recebeu os títulos tambem de Felizes Para Sempre e em inglês de Beyond Passion e Happily Ever After

-"O erotismo do filme é fascinante graças a Regina Duarte. Ela está soberba. Não ganhou prêmios, mas está. Apenas com o olhar Regina passa a idéia de uma sensualidade consistente e arrebatadora."

Um comentário:

For Friends disse...

Este filme é maravilhoso!!!
Eu assisti ele a muito tempo atras no litoral, num pe~´iodo de férias e depois de um tempo quis assistir novamente e nunca mais consegui encontra-lo, já até o encomendei em locadoras grandes e nenhuma conseguiu pra mim, agora estou vendo ele aqui e fiquei muito feliz em saber que tenho chances de ver novamente um filme que me encantou, romance misturado com sensualidade e uma história linda.
Rogério Agostinho